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20.9.03

Estrela do Mar 

Em silêncio trocámos segredos e abraços
inscrevemos no espaço um novo alfabeto
já passaram mil anos sobre o nosso encontro
mas mil anos são pouco ou nada para a estrela do mar

Jorge Palma Estrela do Mar (canção encantada e encantatória, seguramente escrita após a escuta de uma qualquer emissão da Íntima)

Carlos, o Alfacinha

Não se explica. Sente-se. 

Tenho a profunda convicção de que a Íntima Fracção é uma inspiração divina.
Há "a" voz. "O" filme. "O" livro. A Íntima Fracção é "o" programa de rádio. Tem que ser escutado não como ruído de fundo, mas como se fosse uma peça sonora.

Jorge

Um pouco da memória da Íntima Fracção por um então muito jovem adulto - Maio de 1997 

«Na mais íntima fracção da noite: pouco para dizer, muito para escutar, tudo, tudo para sentir.»

Ao ouvirem o programa não se espantem se começar assim, não é propriamente o genérico, mas resume a filosofia apregoada deste espaço que conta já com uns aninhos de história - mais de 12 - na rádio portuguesa.

Deve ser difícil inovar radiofonicamente num horário propício a vozes cavas e músicas calminhas, de embalar. As variantes mais em voga são os intermináveis e recorrentes espaços interactivos onde se trocam uns quilos de solidão por um disco pedido, ou então, as raves virtuais em frequência modelada, nas emissoras mais guedelhudas. Contudo, este programa traz algo de novo, fundamentalmente, pela forma como é encarada a sua construção.

Trata-se de um pré-gravado onde a magia perdida de um directo é bem mais que compensada por uma espantosa capacidade de criação de variados ambientes, através da manipulação, por vezes genial, de palavras e músicas que, destacando-se dos magníficos samples de suporte, nos parecem querer levar à mais íntima fracção da noite, sempre com muita delicadeza.

O silêncio reina. É tomado como matéria prima para a realização da obra. Este propõem-se exprimir, revelar, partilhar, provocar sentimentos e sensações. O escopro é o som, então, surgem as palavras, as músicas e vai nascendo uma obra. Demonstra-se neste programa como as músicas, muitas vezes tão diferentes, reflectindo origens e influências tão diversas e que são já de si produto de expressões artísticas, podem resultar em uma outra expressão de arte quando compõem um programa de rádio.
Mas para que não me perca em lirísmos e para que não surjam ideias muito enviesadas sobre o eventual conteúdo do programa, permitam-me recuperar uma certa objectividade: que música poderemos ouvir nestas duas horas de rádio?

Antes de mais, alerto-vos para um fétiche, um grupo com presença quase obrigatória ao longo dos últimos anos de emissões (pelo menos): os Beach Boys. Brian Wilson e seus pares ajudam a preencher este programa emprestando-lhe a sua melhor música. É inevitável uma (re)descoberta dos Beach Boys e de todas as facetas deste grupo que vão bem além do lado «fun, fun, fun, now the daddy took the T-bird away». Agora atentem bem a cerca 50 nomes que lhes podem fazer companhia neste programa: Lou Reed, The Beatles, Bjork, Brian Eno, Tindersticks, Howie B, Skylab, Pulp, Frank Zappa, Peter Gabriel, Genesis, Brian Ferry, Sétima Legião, Kraftwerk, St. Etienne, Etienne Daho, St. Germain, Nick Cave, Louis Armstrong, Passengers, Pizzicato Five, David Byrne, Talking Heads, Maurice Chevallier, Mariane Faithfull, Blur, Oasis, Brian Wilson, Ennio Morricone, Jorge Palma, Flak, The Clash, Suicide, Outside, Van Morrison, Rolling Stones, John Cale, Led Zeppelin, Frank Sinatra, R.E.M., Enya, Astor Piazolla, Massive Attack, U2, Ballistic Brothers, Buddy Holly, Bee Gees, Elvis Presley, Elvis Costello, Angelo Badalamenti, Bruce Springsteen, The Doors entre muitos outros, nomeadamente algumas raridades radiofónicas vindas de Africa, Ásia e de outros cantos menos frequentados.

Uma das ideias emblemáticas com que Francisco Amaral nos salpica amiúde é a “problemática” entre se poder reviver 20, 30, 40 anos em duas horas e a de se poder crer reviver continuamente duas horas ao longo de 20, 30, 40 anos. De facto, por vezes, chega-se ao fim do programa com a sensação espantosa de este nos ter mostrado qualquer um dos cenários.

O programa «Íntima Fracção» abandonou recentemente o seu formato diário (segunda a sexta) passando a ir para o ar apenas de domingo para segunda da uma às três da madrugada.
O seu autor, em declarações ao Diário de Notícias (no espaço «Os dias da Rádio», domingo, 1 de Setembro de 1996) afirmou que «é quase insustentável a emissão diária com um certo rigor» defendendo que «semanalmente podem arriscar-se coisas diferentes».
Da audição que já lhe fiz, posso assegurar-vos que o ambiente por aquelas bandas mantém os padrões de elevada qualidade e também os seus poderes encantatórios, sempre sob a máxima «pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir». Renovou-se, mantendo a posição de destaque entre os melhores programas da rádio portuguesa. Uma lição de rádio e uma lição aos que teimam em compartimentar rigidamente a música.

«Músicas no meio da noite... lentamente, apenas a música, poucas palavras. Tudo para sentir delicadamente. A delicadeza é como um leque, o seu uso exige distância”
“So that’s all D.J. The time has come...»


Tinha 21 anos (agora 28) quando escrevi o texto. Na altura publiquei-o na faculdade (ISEG - O Quelhas revista da Associação de Estudantes e na Telefonia Virtual. Foi excelente para a minha "formação de ouvido" ter deparado com o Francisco Amaral. Descobri outra dimensão da beleza que apenas adivinhava. Obrigado.

O programa é, há vários anos, semanal e surgiram novas presenças. Que se continue a fazer memória. Seja por que meio for.
Um abraço a todos.

Rui Manuel Cerdeira Branco
(Adufe)

No meio da noite não é o silêncio... é o barulho do coração 

Não sabemos qual será o futuro da Íntima Fracção . Continuará na TSF? Tememos que não. Ainda não encontrámos nenhuma resposta e este silêncio parece um mau indício.

Tem havido um grande movimento na blogosfera de apoio ao programa do Francisco Amaral mas, dada a velocidade a que “correm” os blogs, a informação dispersa-se. Por isso resolvemos criar este blog que servirá para juntar toda a informação sobre a IF: notícias, depoimentos, opiniões, ideias,…

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A emissão está no ar. O microfone é vosso…

Cristina Fernandes
Mário Filipe Pires

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