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9.4.04

no ar 

É meia-noite, a Íntima Fracção está no ar (RUC | Rádio Universidade de Coimbra - 107.9).

É só apagar a luz, fechar os olhos e encontramo-nos de novo lá, onde sempre estivemos…

Este é o segredo. É muito simples. Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.


Paulo Nozolino




Bernard Plossu

8.4.04

Território da Memória Sentimental 

Francisco Amaral é um amigo de há já longos anos e um dos (poucos) profissionais de rádio que mais admiro e respeito. Feita que está esta inequívoca declaração inicial, vamos agora às palavras que interessam a propósito desta data: os vinte anos da Íntima Fracção.
Num tempo em que os realizadores de radiodifusão estão a ser convertidos em meros operadores de sistemas informáticos, que importância pode ter a manutenção de um programa com as características da Íntima Fracção? TODA A IMPORTÂNCIA! E porquê? Porque sendo um programa de rádio que atravessa já várias gerações, serviria (serve) de inspiração para o desenvolvimento de novos autores do meio. Sem referências, não é mais possível às novas gerações de radialistas reverem-se na autoria de programas. Vivemos dias em que os potenciais criadores de novos conteúdos (interessantes) não são estimulados a pensar e consequentemente a criar. São sim obrigados a cumprir formatos importados pré-definidos, quase todos no estilo “rádio-serviço” ou “rádio-música-top-chart”.
O que acontece é que cada vez mais as pessoas satisfazem esse tipo de necessidades a partir de um simples computador caseiro. O mundo à distância de um “clic” é mesmo uma realidade. E quanto à música, a concorrência com os CD, MD, MP3 e outros formatos digital-áudio constitui uma clara derrota para a rádio, cada vez mais distante do que realmente de importante se passa e vale a pena no mundo da música. São inúmeros os sítios na Internet onde se pode buscar - e encontrar - o que se pretende ouvir. Principalmente quando as estações de maior dimensão estão todas a passar, até ao limite do insuportável, o mesmo disco (riscado!). Se exceptuarmos raros e bons exemplos locais, é isto que se passa no éter nacional.
A Íntima Fracção encerra um conjunto de características que apontam caminhos em variadíssimas direcções. Não é um programa de música, mas utiliza música e uma multiplicidade de muitos outros sons e palavras para transmitir e partilhar sentimentos e estados de alma. Na música emitida encontram-se verdadeiras preciosidades de todos os tempos e até novidades! Não no sentido de ser novidade, mas de ser novo! E há uma diferença abismal entre ambos os termos…
A Íntima Fracção encontra-se num território - ou coloca-nos nesse território - a que pessoalmente chamo de território da memória sentimental. É apenas uma aparente paradoxal ligação entre o passado, o presente e o futuro. Uma deliciosa relação entrelaçada das memórias de momentos das nossas vidas. A emissão/composição do criador deixa de ser sua pertença no momento em que é escutada pelo receptor que, estimulado pelo que ouve, faz a sua interpretação pessoal e “realiza” a sua própria construção. Temos assim uma infinidade de “íntimas fracções” consoante o número de ouvintes. É esta a verdadeira magia da rádio. O apelo ao imaginário. Abrir e alargar horizontes nos receptores e não cair na falácia de “dar ao ouvinte aquilo que ele quer ouvir”. O inultrapassável papel da rádio é dar ao ouvinte aquilo que ele não sabia que poderia ouvir, e, sem pretensiosismos de espécie alguma, tornar-lhe o mundo um pouco mais vasto.
Na minha vida profissional, a Íntima Fracção sempre foi uma influência.
Perco de conta o número de canções e músicas que conheci através da IF desde o dia em que “apanhei” no ar pela primeira vez o programa de Francisco Amaral então na RDP - Antena 1.
Também na literatura a IF me despertou para leituras interessantíssimas das quais destaco três: “Fragmentos De Um Discurso Amoroso” de Roland Bhartes, “Crónicas Americanas” de Sam Shepard e principalmente “O Tempo, Esse Grande Escultor” de Marguerite Yourcenar.
A íntima Fracção é uma composição do nosso tempo, dos nossos dias. É a memória sentimental da nossa vida passada, presente e futura. E sendo uma composição sonora transgeracional, a IF é ainda uma jovem esperança. Vinte anos é uma excelente idade de arranque para outra vida e outras vidas...e o futuro é hoje, à distância de um simples “clic”.


Francisco Mateus

Animador de rádio
(actualmente na TSF)

08/Abril/2004


Penduro-me no mar... 

Para o Francisco... Acredita; nós, sim.

Espero, respiro.
Sirvo-me ao tempo,
penduro-me no mar,
no céu, na noite.

Mostra os olhos, silêncio (aquele)…
estoira, regressa.

Escuto a pele,
vazia, sedenta.
Espero, respiro.

Ricardo Mariano

Parabéns 

Queria deixar aqui o desejo de que este aniversário e as emissões na RUC, na RUM e na ESECRádio sejam o prenúncio da volta da IF.
É necessário que a Íntima Fracção retorne à rádio para podermos continuar a acreditar que a rádio ainda pode ser a rádio.
Um abraço ao Francisco Amaral,

Paula Simões

cantores do rádio 

Nós somos os cantores do rádio
Levamos a vida a cantar
De noite embalamos teu sono
De manhã nós vamos te acordar

Nós somos os cantores do rádio
Nossas canções cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
Corações de Norte a Sul

Canto
Pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
Dando alegria a quem chora

Canto
Pois sei que a minha canção
Vai dissipar a tristeza
Que mora no teu coração

Nós somos os cantores do rádio
Levamos a vida a cantar
De noite embalamos teu sono
De manhã nós vamos te acordar

Nós somos os cantores do rádio
Nossas canções cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
Corações de Norte a Sul

Canto
Para te ver mais contente
Pois a ventura dos outros
É a alegria da gente

Canto
E sou feliz só assim
Agora peço que cantes
Um pouquinho para mim

Nós somos os cantores do rádio
Levamos a vida a cantar
De noite embalamos teu sono
De manhã nós vamos te acordar

Nós somos os cantores do rádio
Nossas canções cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
Corações de Norte a Sul


[Alberto Ribeiro, Lamartine Babo
João de Barro (Braguinha)]



Um abraço de parabéns,
innersmile

7.4.04

íntima fracção 


© David Williams, Stillness and Occurrence

Há 20 anos atrás estava tudo prestes a começar. Já se ouve:

Lambchop, Is a woman

vinte anos 



Os vinte anos da IF vão ser cumpridos "no ar".
Confirmadas, para já, emissões na RUC (Rádio Universidade de Coimbra - 107.9) e na RUM (Rádio Universitária do Minho - 97.5). Ambas se podem ouvir através da Net.
Também vai haver emissão [em linha] que ficará disponível para download na ESEC Rádio online.


Francisco Amaral, Íntima Fracção


"the essential is no longer visible" - Heiner Müller 

# 24

para o Francisco Amaral, nos 20 anos da 'Íntima Fracção':

que faço com as horas de dor?
eu, rádio
tremor de um éter perdido, de órgãos devorados
que faço quando o amor é cada vez mais fraco
e as noites mais curtas e sem olhos
não há silêncio e morrem as paixões azuis
demasiados os invasores
são
demasiadas
as
ruidosas trovoadas-sem-fios
nem sequer relâmpagos
já só trovões missionários do negro da lua

onde estás floresta?
onde
azul
- minha telefonia

# Frederico Mira George in Saudades de Antero.

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