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15.4.04

hoje regressava do trabalho, a ouvir a universitária do minho como habitualmente, e de súbito o meu alarme mental disparou ao som das palavras "íntima fracção"; foi como encontrar um amigo de infância que se julga estar do outro lado do mundo; tinha-lhe perdido o rasto há muitos anos, desde o tempo da antena 1, desde o tempo em que podia despreocupadamente ficar até à 1 ou 2 da noite de domingo para segunda a ouvir rádio, sozinho na sala mas acompanhado na mente; é bom saber que existe, é sempre bom saber que existem lâminas de luz a rasgar a normalização estupidificante das nossas vidas;

agora estou a ouvir lambchop e acho que hoje fiquei um bocadinho mais novo;

Manuel Leite (em_el@hotmail.com)

# 28 

"the essential is no longer visible" - Heiner Müller

foi uma semana complicada. longa. não foi uma semana má. foi longa. só isso. longa. agora sento-me ao computador e ouço a ‘íntima fracção’ de aniversário. vinte anos de ‘intimidade’. como nas longas noites de outros invernos, sinto uma paz lúcida, embalada pelos sons claros e azuis de uma linguagem que não se perdeu. e mais uma vez, pela noite, vivo a fracção de rádio, da amada rádio, que vive... vive... ainda...

o homem preparou os papeis como dantes
como nunca – aliás – deixou de fazer e mergulhou na velha
transparência
no azul de limões em festa
à sua frente, ainda, os pequenos textos da respiração
acumulados de tanto
no tanto que tocado é amado

há tempo perdido?

Há ainda a luz que vem da rua
O mar que se adivinha –
- o mar adivinha-se – o mar

se
adivinha

dantes, as tardes eram longas e douradas e as madrugadas
azuis
e trasbordantes de tochas incendiadas na língua
tínhamos os corpos suados, a pele colada a outro
a ver, a pressentir
as madrugadas eram as vozes silenciosas da música inventada
da criatividade de alquimistas perdidos no som da rádio
as madrugadas eram o terreno em que os filhos se
libertavam das mães
e se alongavam nos corpos de amantes conhecidos
os irmãos

era azul
de limões em festa
ácido citrino de tochas incendiadas na saliva e
beijos de criança-adolescente
imaginadamente amante
em tochas de verde

hoje, o homem voltou a criar a madrugada no athanor
da telefonia
no solvitio primordial do éter
a amalgama. o imenso adormecer
o imenso ir adormecendo


visita
o
interior
da
terra
e
rectificando
encontrarás
a
pedra
oculta


Frederico Mira George «Saudades de Antero»

11.4.04

No verso de uma carta a ti endereçada
escrevi o poema ao Homem que o há-de Ser
escrevi-o com as lágrimas de todas as Mães
e com o doce salgar de um traunsente abandonado
A ti, quem quer que sejas
foi
tudo
o que escrevi...

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